quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Charles Baudelaire

"A felicidade é composta de pequenos prazeres"

Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta e teórico literário nascido em 9 de abril de 1821, em Paris. É considerado um escritor precursor do simbolismo, escola que caracteriza escritores dos quais os textos se relacionam com os sentidos, com a intuição e com a musicalidade. É também tido como o fundador da tradição moderna em poesia, na qual se procura estabelecer uma conexão entre a psique e os sentimentos humanos a partir do mundo concreto. Suas obras influenciaram, inclusive, as artes plásticas durante o séc. XIX. Respondendo à pergunta por ele mesmo formulada sobre o que seria uma arte pura, conclui: “É criar uma mágica sugestiva, contendo a um só tempo o objeto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o próprio artista.”

Embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.

Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.

E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".

Enivrez-vous

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.

Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.

Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront: "Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Curiosamente, foi expulso de um colégio por não querer mostrar o bilhete que um colega lhe passou. Aos 19 anos, o seu padrasto o manda para a Índia, mas ele não chega a seu destino e retorna a Paris. Ao atingir a maioridade, ele recebe a herança do pai e vive entre drogas (ópio e haxixe) e álcool na companhia da haitiana Jeanne Duval, sua cônjuge durante 20 anos de idas e vindas, e para quem ele fez poemas lindíssimos (Le balcon, Parfum exotique, La chevelure, Sed non satiata, Le serpent qui danse e Une charogne). Os apelidos pelos quais ele a chama nos poemas também são igualmente incríveis- “a amante das amantes” e “Vênus negra” (esse é o nome latino, que equivale à “Afrodite”, deusa do amor e da beleza da mitologia grega).

Nesses poemas, percebem-se claramente as características simbolistas. Apelo à sinestesia - ele fala sobre a claridade (visão), o pôr do Sol (visão), o perfume (olfato), o calor, o tato, frutas saborosas (o paladar), canto (audição), a musicalidade etc. Os links que eu coloquei têm os poemas e as suas análises, é bem interessante para quem quiser ter uma visão mais ampla sobre o autor e a sua poesia. Duval teria sido retratada pelo pintor Manet, amigo de Baudelaire, mas há controvérsias. De qualquer forma, aqui vai o retrato dela:

A amante de Baudelaire, reclinada. Retrato de Jeanne Duval, por Édouard Manet.

Diz-se que Jeanne Duval estava cega e morreu de sífilis em 1862. Baudelaire, cinco anos depois (1867), também faleceu de sífilis.

Uma obra amplamente conhecida de Baudelaire é Les fleurs du mal (As flores do mal), lançado em 1857 contendo 100 poemas. Livro este que foi acusado de ultrajar a moral pública e pelo qual ele teve que pagar uma multa de 300 francos. A causa da acusação foram seis poemas, que Baudelaire trocou por seis novos poemas “mais belos que os suprimidos”, segundo ele. Há exemplares desse livro na biblioteca do CAC, a quem se interessar. Também tem “o poema do haxixe”; “Pequenos poemas em prosa” e “A fanfarlo”.

Bom, espero ter criado algum interesse em vocês para que se aprofundem nas obras dele ;)


Postado por: Ana Rita

2 comentários:

  1. Ana, Je suis très fière de toi!

    Olha que coisa linda: você fez exatamente o que eu tinha em mente que era fazer um LINK entre um POST e outro, e você simplesmente uniu Baudelaire com Manet nesse quadro maravilhoso e logo após o texto do nosso querido Auríbio!
    Orgulhosa, essa é literalmente a palavra pra descrever o que sinto.

    Bisou ma belle!

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