quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Charles Baudelaire

"A felicidade é composta de pequenos prazeres"

Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta e teórico literário nascido em 9 de abril de 1821, em Paris. É considerado um escritor precursor do simbolismo, escola que caracteriza escritores dos quais os textos se relacionam com os sentidos, com a intuição e com a musicalidade. É também tido como o fundador da tradição moderna em poesia, na qual se procura estabelecer uma conexão entre a psique e os sentimentos humanos a partir do mundo concreto. Suas obras influenciaram, inclusive, as artes plásticas durante o séc. XIX. Respondendo à pergunta por ele mesmo formulada sobre o que seria uma arte pura, conclui: “É criar uma mágica sugestiva, contendo a um só tempo o objeto e o sujeito, o mundo exterior ao artista e o próprio artista.”

Embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.

Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.

E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser".

Enivrez-vous

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.

Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.

Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront: "Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Curiosamente, foi expulso de um colégio por não querer mostrar o bilhete que um colega lhe passou. Aos 19 anos, o seu padrasto o manda para a Índia, mas ele não chega a seu destino e retorna a Paris. Ao atingir a maioridade, ele recebe a herança do pai e vive entre drogas (ópio e haxixe) e álcool na companhia da haitiana Jeanne Duval, sua cônjuge durante 20 anos de idas e vindas, e para quem ele fez poemas lindíssimos (Le balcon, Parfum exotique, La chevelure, Sed non satiata, Le serpent qui danse e Une charogne). Os apelidos pelos quais ele a chama nos poemas também são igualmente incríveis- “a amante das amantes” e “Vênus negra” (esse é o nome latino, que equivale à “Afrodite”, deusa do amor e da beleza da mitologia grega).

Nesses poemas, percebem-se claramente as características simbolistas. Apelo à sinestesia - ele fala sobre a claridade (visão), o pôr do Sol (visão), o perfume (olfato), o calor, o tato, frutas saborosas (o paladar), canto (audição), a musicalidade etc. Os links que eu coloquei têm os poemas e as suas análises, é bem interessante para quem quiser ter uma visão mais ampla sobre o autor e a sua poesia. Duval teria sido retratada pelo pintor Manet, amigo de Baudelaire, mas há controvérsias. De qualquer forma, aqui vai o retrato dela:

A amante de Baudelaire, reclinada. Retrato de Jeanne Duval, por Édouard Manet.

Diz-se que Jeanne Duval estava cega e morreu de sífilis em 1862. Baudelaire, cinco anos depois (1867), também faleceu de sífilis.

Uma obra amplamente conhecida de Baudelaire é Les fleurs du mal (As flores do mal), lançado em 1857 contendo 100 poemas. Livro este que foi acusado de ultrajar a moral pública e pelo qual ele teve que pagar uma multa de 300 francos. A causa da acusação foram seis poemas, que Baudelaire trocou por seis novos poemas “mais belos que os suprimidos”, segundo ele. Há exemplares desse livro na biblioteca do CAC, a quem se interessar. Também tem “o poema do haxixe”; “Pequenos poemas em prosa” e “A fanfarlo”.

Bom, espero ter criado algum interesse em vocês para que se aprofundem nas obras dele ;)


Postado por: Ana Rita

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

NÃO CONFUNDA MONET COM MANET

ALMOÇO NA RELVA
IMPRESSÃO: NASCER DO SOL








Oscar-Claude Monet nasceu em 14 de novembro de 1840 em Paris, e morreu em 5 de dezembro de 1926, em Giverny. É considerado um dos pintores mais representativos do impressionismo francês. Vive parte de sua vida na Normandia, onde aprende, por volta de 1856, com Eugène Boudin, um artista que trabalhava com pinturas ao ar livre, algumas técnicas de pintar na natureza. Em 1859, muda-se para Paris, frequenta a academia suiça de Paris e treina copiando grandes pintores. Em 1862, teve oportunidade de cursar Artes na universidade, mas não se agrada do tradicionalismo da pintura acadêmica. Abandona, então, a universidade, vai estudar com Charles Gleyer e conhece Pissarro e Colbert. Juntos desenvolvem a técnica de pintar o efeito das luzes com rápidas pinceladas, o que ficará conhecido como impressionismo.
O quadro Impressão, nascer do sol: (atualmente no Museu Marmottan de Paris), uma paisagem do Havre, exibida na primeira exposição impressionista de 1874, deu origem ao nome usado para definir o movimento impressionista.
A técnica de Monet para pintar quadros era bastante peculiar, pois, de perto, aparentava ser apenas borrões, mas o espectador ao distanciar a visão, percebia as formas com bastante nitidez.
Em face da exposição exagerada ao sol, Monet teve uma catarata no final da sua vida. A doença o atacou, pois gostava de pintar ao ar livre em diferentes horários do dia e em várias épocas do ano, o que foi outra característica do Impressionismo. Durante sua doença Monet não parou de pintar. Passou a usar cores mais fortes como o vermelho-carne e o vermelho goiaba, cor tijolo, entre outros verdes, rosas, vermelhos e cores mais fortes.
Monet morreu em 1926 e está enterrado no Cemitério da Igreja de Giverny, Eure, na Alta-Normandia na França.


Édouard Manet nasceu em 23 de janeiro de 1832, em Paris, e morreu no dia 30 de abril de 1883, também em Paris. Foi pintor e artista gráfico por demais reconhecido no universo da arte do século XIX.
Conforme dados da Wikipédia, os gostos de Manet não se inclinam para os tons fortes, utilizados na nova estética impressionista. Prefere os jogos de luz e de sombra, restituindo ao nu a sua crueza e a sua verdade, muito diferente dos nus adocicados da época. O trabalhado das texturas é apenas sugerido, as formas, simplificadas. Os temas deixaram de ser impessoais ou alegóricos, passando a traduzir a vida da época, e, em certos quadros, seguiam a estética naturalista de Zola e Maupassant.
Uma curiosidade em relação a Manet, é que teve oportunidade de visitar o Brasil em 1848. Como resultado dessa viagem, desenvolveu um certo gosto pelo exótico e uma repulsa ao escravismo. É sabido que a luminosidade da baia de Guanabara influenciou a sua maneira de pintar. No ano de 1856, Manet deixou o atelier de Couture, com quem estudava, por divergências artísticas. Segundo Couture, Manet não tinha tons intermediários entre a luz a e sombra. Para Manet, esses tons intermediários debilitavam a sombra e a luz, portanto ele acabava usando cores quase puras. No entanto, nesse período, conheceu Victorine Meurent, que teria um papel importante em sua obra, pois se tornou a partir deste uma modelo frequente de suas obras, como no quadro acima, Almoço na Relva.
Manet contraiu sífilis o que lhe causou muitas dores e paralisia parcial. Em 1883, Manet tem a perna esquerda amputada devido à gangrena e morreu dias após. Ele tinha 51 anos quando morreu e está enterrado no cemitério de Passy em Paris.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Albert Camus, Vida e Obra

“Penso agora em flores, sorrisos, desejo de mulher, e compreendo que todo o meu horror de morrer está contido em meu ciúme de vida. Sinto ciúme daqueles que virão e para os quais as flores e o desejo de mulher terão todo o seu sentido de carne e de sangue. Sou invejoso porque amo demais a vida para não ser egoísta... Quero suportar minha lucidez até o fim e contemplar minha morte com toda a exuberância de meu ciúme e de meu horror” Albert Camus (1913-1960)

Em seu esforço para encontrar um sentido para a vida humana sem recorrer ao dogmatismo nem a falsas esperanças, Albert Camus foi muitas vezes mal compreendido mas influenciou decisivamente sua geração intelectual e a seguinte. Albert Camus nasceu em Mondovi, Argélia, em 7 de novembro de 1913. Com a morte do pai na batalha do Marne, durante a primeira guerra mundial, passou por sérias dificuldades econômicas junto com a família. Conseguiu, no entanto, estudar filosofia na Universidade de Argel e exerceu várias profissões até se formar.

Tuberculoso, não pôde trabalhar como professor e resolveu abraçar a carreira literária, que iniciou como jornalista e fundador do Théâtre du Travail, com o objetivo de levar a arte ao povo. As agruras desses anos se refletem em suas primeiras obras, as coletâneas de ensaios L'Envers et l'endroit (1937; O avesso e o direito) e Noces (1938; Bodas). Depois de romper com o Partido Comunista, após vários anos de militância, Camus mudou-se em 1940 para Paris, que teve que abandonar por causa da invasão alemã. Pouco depois regressou à França e aderiu à resistência, como diretor da revista Combat. Em plena guerra mundial publicou uma série de obras que tornariam célebre seu nome: o romance L'Étranger (1942; O estrangeiro), que descreve a atmos­fera sem esperança característica dessa época em que seu prota­gonista, Meursault, é um homem indiferente a todas as normas sociais, impermeável a todos os valores morais. Condenado por matar dois árabes numa praia, tudo que declara como justificati­va de seu ato injustificável é que o fez "por causa do sol". Dizer mais do que isso, tentar defender-se, significaria acatar as regras de um jogo que ele recusa.

Já o ensaio Le Mythe de Sisyphe (1942; O mito de Sísifo), que poderia ter como subtítulo a seguinte pergunta: “a vida vale a pena ser vívida?”, Trata do absurdo que consiste na incompatibili­dade entre um anseio humano de explicação para o mundo e o mistério essencial desse mundo inexplicável, entre a consciência da morte e o desejo de uma impossível eternidade, entre o sonho de felicidade e a existência do sofrimento, entre o amor e a sepa­ração dos amantes. Constatado o absurdo, resta escolher a atitu­de a tomar, para Camus, trata-se de aceitá-lo e de conviver com ele. É o que faz Sísifo, o mítico personagem condenado pelos deu­ses a rolar eternamente uma pedra encosta acima de uma monta­nha. Sísifo aceita o absurdo e tenta agir dentro dos limites que isso lhe impõe. E, paradoxalmente, ao tomar consciência desses limites, ele consegue ser mais livre. Em todas suas obras, até então, Camus apresentava uma visão desesperançada e niilista da condição humana. Era difícil, no entanto, conciliar a postura solidária e progressista do combatente da resistência com tal negativismo. Por isso, em suas obras posteriores Camus tendeu a elaborar um pensamento em que o niilismo constituísse "um ponto de partida" para uma sociedade mais livre e humana. Exemplo disso foi o romance La Peste (1947), narrativa simbólica da luta de um médico contra uma epidemia em Oran. Por trás dessa trama simples se percebia, no entanto, a sombra do nazismo e da ocupação alemã, bem como um apelo à dignidade humana. Temática muito semelhante aparece na obra L'État de siège (1948; O estado de sítio). A postura ideológica de Camus aparece com nitidez em L'Homme révolté (1951; O homem revoltado), longo ensaio de caráter metafísico no qual ele analisou a ideologia revolucionária e escreveu palavras reveladoras: "O rebelde rechaça, portanto, a divindade, para compartilhar as lutas e o destino comum." O ensaio, no entanto, não foi bem recebido pelos círculos esquerdistas, que viam nele um pensamento demasiadamente individualista e retórico. Durante a década de 1950, Camus enfrentou um conflito entre suas idéias progressistas e a explosão da revolução na Argélia, diante da qual, fundamentalmente por razões sentimentais, se colocou do lado da França. Tais contradições internas resultaram em duas obras importantes, o romance La Chute(1956; A queda) e a coletânea de contos, vários deles situados na Argélia, L'Exil et le royaume (1957; O exílio e o reino).
A Queda ironiza a convicção de que a humanidade é má e combate a idéia, defendida pelo protagonista, de que o sofrimen­to humano resulta de uma grande culpa universal. A obra devia integrar os contos de O Exílio e o Reino, porém acabou ganhando dimensão de romance. O mundo que surge em seus trabalhos na década de 1950 já não é tão absurdo como o de suas primeiras obras, um inferno caótico e irreal, fruto talvez da sensação de isolamento do autor. Em 1957, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, pelo “conjunto de uma obra que põe em destaque os problemas que se colocam em nossos dias à consciência dos homens”. Na ocasião, proferiu um discurso analisando o papel do artista, que não deve apenas distrair o público, mas "comover o maior núme­ro possível de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e das alegrias comuns".
Três anos depois, 04 de janeiro de 1960, cheio de planos e de sonhos e preparando um novo romance, Albert Camus morre num acidente de automóvel, na estrada que liga Sens a Paris. Em seu bol­so encontrou-se uma passagem de trem para o mesmo percurso. Sua obra, constitui uma das grandes realizações da literatura francesa e foi a expressão de um homem que sempre agiu com honestidade em sua busca de justiça.Antologia "Os tristes têm duas razões para o ser: ignoram ou esperam."

"O que é, com efeito, o homem absurdo? Aquele que, sem o negar, nada faz pelo eterno."

"A verdadeira generosidade em relação ao futuro consiste em dar tudo no presente."

"Eu amo a vida, eis a minha verdadeira fraqueza. Amo-a tanto, que não tenho nenhuma imaginação para o que não for vida."

"Não há amor generoso senão aquele que se sabe ao mesmo tempo passageiro e singular."

"Na luz, o mundo continua a ser nosso primeiro e último amor." “Se amar bastasse, as coisas seriam simples. Quanto mais se ama, mais se consolida o absurdo.”

“Mas do amor só conheço a mistura de desejo, ternura e entendimento que me liga a determinado ser.”

“Por que seria preciso amar raramente para amar muito.”

“Há gente que é feita para viver e gente que é feita para amar.”

“Só chamamos de amor o que nos une a certos seres por influência de um ponto de vista coletivo gerado nos livros e nas lendas. Mas do amor só conheço a mistura de desejo, ternura e entendimento que me liga a determinado ser.”

“O homem absurdo multiplica o que não pode unificar.”

“Para um homem consciente, a velhice e o que esta pressagia não é nenhuma surpresa. Ele é consciente dela na medida em que não oculta de si mesmo o seu horror. Em Atenas havia um templo consagrado à velhice, aonde levavam as crianças.”

“Amar e possuir, conquistar e esgotar, eis sua maneira de conhecer.”

Arthur Rimbaud


Arthur Rimbaud

Ma Bohème
(fantasie)

Je m' en allais, les poings dans mes poches crevées;
Mon paletot aussi devenait idéal;
J' allais sous le ciel, Muse! et j' étais ton féal;
Oh! là là! que d' amours splendides j' ai rêvées!

Mon unique culotte avait un large trou.
— Petit-Poucet rêveur, j' égrenais dans ma course
Des rimes. Mon auberge était à la Grande-Ourse.
— Mes étoilles au ciel avaient un doux frou-frou.

Et je les écoutais, assis au bord des routes,
Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes
De rosée à mon front, comme un vin de vigueur;

Où, rimant au millieu des ombres fantastiques,
Comme des lyres, je tirais des élastiques
De mes souliers blessés, un pied près de mon coeur!

Minha Boemia
(fantasia)

Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;
O meu paletó não era bem o ideal;
Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;
Ah! E sonhava mil amores insensatos

Minha única calça tinha um largo furo.
Pequeno Polegar, eu tecia no percurso
Um rosário de rimas. A Grande Ursa,
O meu albergue, brilhava no céu escuro.

Sentado na sargeta, só, eu a ouvia
Nessa noite de setembro em que sentia
O odor das rosas, que vinho vigoroso!

Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,
Rimava com a débil lira dos elásticos
De meus sapatos, e o coração doloroso!

Arthur Rimbaud http://poesiaetudo.blogspot.com/2009/08/rimbaud.html

Salut mes ami!

Com um pouco de atraso, mas cá estou com este poeta de tirar o fôlego, ufa!
O Poeta apresenta uma biografia bem "turbulenta" ou seria mesmo " (o que parece uma sina de todos os bons poetas, mais enfim) no que diz respeito a as misérias da alma humana. Neste sentido, tentando ser breve,porque a história é longa:

"Poeta francês (20/10/1854-10/11/1891). Considerado pós-romântico e precursor do surrealismo, é uma das maiores influências da poesia moderna. Jean Nicolas Arthur Rimbaud nasce em Charleville e revela vocação para os versos ainda no colégio. Foge de casa diversas vezes durante a adolescência. Muda-se para Paris aos 17 anos, financiado pelo poeta Paul Verlaine, a quem enviara seu Soneto das Vogais (1871). Um ano depois Verlaine deixa a família para viver com Rimbaud em Londres. A tempestuosa relação amorosa entre os dois termina quando Rimbaud é ferido por Verlaine com um tiro no pulso. Uma Estação no Inferno (1873) e Iluminações (1886) revelam uma consciência estética nova, uma linguagem libertária, a idéia de que a poesia nasce de uma alquimia do verbo e dos sentidos. Quando termina Iluminações, aos 20 anos, desiste da literatura e retoma a vida errante que o caracterizara na adolescência.Sem falar que percorreu grande parte da Europa a pé. Comercializa peles e café na Etiópia, alista-se no Exército colonial holandês, para desertar logo depois, trafica armas em Ogaden, vai para o Chipre e para Alexandria. Em 1891 tem a perna amputada, em decorrência de um câncer no joelho. Morre em Marselha, depois de demorada agonia."
Gostei deste:

~ POEMA “SENSATION” ~

Par les beaux soirs d’été, j’irai dans les sentiers
Picoté par les blés, fouler l’herbe menue:
Rêveur, j’en sentirai la fraîcheur à mes pieds:
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.
Je ne parlerai pas, je ne penserai rien…
Mais un amour immense entrera dans mon âme,
Et, j’irai loin, bien loin; comme un bohémien
Par la Nature, — heureux comme avec une femme!


Nas belas tardes de verão, pelas estradas irei,
Roçando os trigais, pisando a relva miúda:
Sonhador, a meus pés seu frescor sentirei:
E o vento banhando-me a cabeça desnuda.
Nada falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso me irá envolver,
E irei longe, bem longe, a alma despreocupada,
Pela Natureza — feliz como com uma mulher.


Verlaine e Rimbaud em Londres. Desenho de Félix Régamey.

POSTADO por: Vanessa Barboza

terça-feira, 22 de novembro de 2011

LUIS BUÑUEL


Luis Buñuel



BUÑUEL POR SALVADOR DALI

Luis Buñuel era o primogênito de sete filhos. O pai, ferreiro bem-sucedido, casara aos 43 anos; a mãe, Maria Portolés, então tinha 18.

Quando a família se mudou para Sara
goça, Buñuel iniciou os estudos com os jesuítas, recebendo a formação religiosa que se tornaria marcante em seus filmes.

Em 1917, foi para Madri, ingressando na faculdade de agronomia indo morar na residência estudantil, onde conheceu Federico García Lorca e Salvador Dalí. Deixou aquela faculdade para estudar filosofia e letras e graduou-se em 1924.

No ano seguinte Buñuel, casou-se com Jeanne Rucar. Trabalhou na França com o cineasta Jean Epstein, como assistente de direção e roteirista e estudou na Academie du Cinéma (Paris).

Em 1928, Buñuel apresentou seu primeiro filme, "Um Cão Andaluz" ("Un Chien Andalou"), que se tornaria um marco do cinema surrealista, rompendo com a narrativa cinematográfica tradicional e criando imagens de grande impacto e beleza. Em seguida, filmou "A Idade de Ouro" ("La Age d'Or"), que estreou com grande polêmica e
m 1930.





Luis Buñuel (abaixo no centro), . 1930



Em 1936, com o início da Guerra Civil Espanhola, Buñuel mudou-se para os EUA, trabalhando durante um período no Museum of Modern Art (Nova York) e em Hollywood, sendo então contratado pela Metro Goldwyn Meyer como "observador".



Após um longo período sem filmar, Buñuel estabeleceu-se no M
éxico. Ali, dirigiu "Gran Cassino" em 1947 e naturalizou-se em 1949.





Na década de 1950, Buñuel realizou diversos filmes de sucesso, como "Os Esquecidos" ("Los Olvidados"), "O Alucinado" ("El") e "A Ilusão Viaja de Bonde" ("La Ilusión Viaja em Tranvía").

Em 1961, a convite do governo espanhol, Buñuel filmou "Viridiana". O filme (uma sátira religiosa) virou escândalo e chegou a ser censurado
na Espanha, mas acabou recebendo a Palma de Ouro no Festival de Cannes.



No ano seguinte, estreou "O Anjo Exterminador" ("El Ángel Exterminador") e, em 1966, "A Bela da Tarde" ("Belle de Jour"). Esse último, rodado na França e estrelado por Catherine Deneuve, obteve o Leão de Ouro no Festival de Veneza.





Em 1970, Buñuel voltou a filmar na Espanha, lançando "Tristana". Em 1972, com "O Discreto Charme da Burguesia" ("Le Charme Discret de la Bourgeoisie"), ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Cinco anos depois, realizou seu último filme, "Esse Obscuro Objeto do Desejo" ("Cet Obscur Objet du Désir").





Suas memórias, "Meu Último Suspiro" (1982), são um livro charmoso e elucidativo.





Vítima do câncer, morreu aos 83 anos na Cidade do México.



Filmes de Luis Buñuel

Veja a lista dos 18 melhores filmes de Luis Buñuel

Ranking

Filme

Ano

Nota

Viridiana

1961

9,4

A Idade do Ouro

1930

9,4

Os Esquecidos

1950

9,3

O Cão Andaluz

1929

9,2

O Alucinado

1953

9,2

Discreto Charme da Burguesia

1972

8,9

O Anjo Exterminador

1962

8,8

Tristana, uma Paixão Mórbida

1970

8,4

A Bela da Tarde

1967

8,1

10º

Ensaio de um Crime

1955

8,0

11º

O Fantasma da Liberdade

1974

7,9

12º

Nazarin

1959

7,9

13º

O Diário de uma Camareira

1964

7,9

14º

Terra Sem Pão

1933

7,9

15º

Este Obscuro Objeto do Desejo

1977

7,8

16º

Simon do Deserto

1965

7,7

17º

O Estranho Caminho de São Tiago

1969

7,4

18º

Robinson Crusoé

1954

7,3


Prémios

  • Recebeu uma nomeação ao Óscar de Melhor A

    rgumento Original, por "Le Charme Discret de la Bourgeoisie" (1972).

  • Recebeu uma nomeação ao Óscar de Melhor Argumento Adaptado, por "Cet Obscur Objet du Désir" (1977).

  • Recebeu uma nomeação ao BAFTA de Melhor Realizador, por "Le Charme Discret de la Bourgeoisie" (1972).

  • Ganhou o BAFTA de Melhor Argumento, por "Le Charme Discret de la Bourgeoisie" (1972).

  • Recebeu uma nomeação ao BAFTA de Melhor Banda Sonora, por "Le Charme Discret de la Bourgeoisie" (1972).

  • Recebeu uma nomeação ao César de Melhor Realizador, por "Cet Obscur Objet du Désir" (1977).

  • Recebeu uma nomeação ao César de Melhor Argumento, por "Cet Ob

    scur Objet du Désir" (1977).

  • Ganhou o Prémio Bodil de Melhor Filme Europeu, por "Belle de jour" (1967).

  • Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, por "Viridiana" (1961).

  • Ganhou o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cannes, por "Los Olvidados" (1950).

  • Ganhou uma Menção Especial no Festival de Cannes, por "Joven" (1960).

  • Ganhou o Prémio Internacional no Festival de Cannes, por "La Fièvre Monte à El Pao" (1959).

  • Ganhou o Prémio FIPRESCI em 1969, no Festival de Berlim.

  • Ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, por "Belle de jour" (1967).

  • Ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza, por "Simón del Desierto" (1965).

  • Ganhou o Prémio Pasinetti de Melhor Filme no Festival de Veneza, por "Belle de jour" (1967).

  • Ganhou o Prémio FIPRESCI no Festival de Veneza, por "Simón del Desierto" (1965).

  • Ganhou um Leão de Ouro Honorário em 1982, no Festival de Veneza.

  • Ganhou um Prémio Honorário em 1979, no Festival de Montreal, pela sua contribuição ao cinema.

  • Ganhou por duas vezes o Prémio Bodil de Melhor Filme Não-Europeu, por "La Fièvre Monte à El Pao" (1959) e "El Ángel Exterminador" (1962).


Robinson Crusoé

Sinopse:


Nem mesmo Buñel resistiu em contar a clássica história de Robinson Crusoé, que após um naufráugio, vê-se perdido em uma ilha deserta.

http://youtu.be/NMaE-ZN1uvw

Direção: Luis Buñuel

Ano: 1954
País: México
Gênero: Aventura, Drama
Duração: 90 min. / cor
Título Original: Las Aventuras de Robinson Crusoé
Título em inglês: Robinson Crusoe

POSTADO POR: SIMONE VIEIRA NUNES


domingo, 20 de novembro de 2011

O HOMEM DE SATURNO

Salut tous les gens!


Sei que vocês me aguardavam, impacientemente! Mas calma, eis-me aqui, junto a Paul Verlaine. Ele surge, de ímpeto, como um bom ariano que é!
Verlaine já fora chamado de parnasiano, simbolista, maldito, anarquista, veado, andarilho, mas ele preferia ser chamado de príncipe. Príncipe dos Poetas! Assim a França o conheceu, e se rendeu a seu talento incomum. Inúmeras vezes os franceses o viram perambulando pelas ruas charmosas e voluptuosas de Paris. Morreu, inclusive, na sarjeta. Sem dinheiro, sem mulher e sem Rimbaud, no qual, num momento de fúria, dispara um tiro de pistola. Verlaine é preso e condenado, passando dois anos no cárcere.
No entanto, o Príncipe dos Poetas nos açoita, não com sua biografia tempestuosa (será marca dos arianos? kkkkk), mas com sua veia poética marcada pela musicalidade lírica singular, seus arrebatamentos d'alma, transpondo seus sentimentos em impressões, através de paisagens nostálgicas e refinadas. Como não se envolver com versos que cantam assim:

Il pleure dans mon coeur – Chora no meu coração
Comme il pleut sur la ville – Como chove na cidade
Quelle est cette langueur - Qual é esta languidez
Qui pénètre mon coeur? - Que penetra meu coração?
Ô bruit doux de la pluie – Ó barulho suave da chuva
Par terre et sur les toits! - Pela terra e sobre os tetos !
Pour un coeur qui s’ennuie, – Por um coração que se aborrece,
Ô le chant de la pluie! – Ó canto da chuva!Il pleure sans raison – Chora sem razão
Dans ce coeur qui s’écoeure. – Neste coração que se enoja.
Quoi! Nulle trahison ?… – O quê? Nem uma traição?
Ce deuil est sans raison. - Este pesar é sem razão.
C’est bien la pire peine - É certamente a pior tristeza
De ne savoir pourquoi – Não saber porque
Sans amour et sans haine – Sem amor e sem ódio
Mon coeur a tant de peine! – Meu coração tem tanta tristeza!

E o que dizer de versos que assim são perfeitamente harmonizados:

CHANSON D'AUTOMNE

Paul Verlaine

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

CANÇÃO DO OUTONO

Tradução: Alphonsus de Guimaraens

Os soluços graves
Dos violinos suaves
Do outono
Ferem a minh'alma
Num langor de calma
E sono.

Sufocado, em ânsia,
Ai! quando à distância
Soa a hora,
Meu peito magoado
Relembra o passado
E chora.

Daqui, dali, pelo
Vento em atropelo
Seguido,
Vou de porta em porta,
Como a folha morta
Batido...

Mais do que ficar debatendo como foi ou como deixou de ser a vida de Paul Verlaine, interessante seria ficar com seus versos em mente. Para ele, "De la musique avant toute chose" - a música antes de qualquer coisa. Para Verlaine, o verso deveria ser fluido, ritmado, solúvel no ar, assim como sua vida.

Postado por Saulo Novaes



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

François Truffaut


“Não sei se sou um artista, mas preciso que acreditem que sou, para tentar sê-lo.”
François Truffaut


Diz algum ditado que a vida não tem ensaio geral; que cada ato faz parte da própria peça, sem possibilidade de retornos ou novas tentativas. Isso significaria que cada ínfimo gesto do cotidiano se revestiria de contornos absolutos, para sempre registrados em algum livro de créditos e débitos da eternidade.No curto intervalo entre duas perguntas, numa entrevista concedida em 1973, Truffaut dizia, com alguma ênfase, pensar em cinema tantas horas por dia e há tantos anos, que não conseguia deixar de comparar a vida e os filmes, e de lastimar que a vida não fosse tão bem agenciada, interessante, densa eintensa quanto as imagens.

Gostei muito do que pesquisei sobre Truffaut, realmente achei muito interessante e literalmente fiquei alguns dias assistindo os filmes, louca para saber o que aconteceria com Antonie Doinel nos filmes que eu viria posteriormente. =D

Aconselho sim mergulhar em seus filmes, pois pelo pouco que vi, e que li todos tem um conteúdo muito bom, não são filmes tradicionais, e sim possuem um diferencial. Não percam a oportunidade! Assisti primeiro Os incompreendidos, o primeiro longa que conta sobre Antoine Doinel que no filme se passa com 14 anos. Seus pais não lhe dão muita atenção, então ele mata aula para ir ao cinema e para sair com os amigos. Daí, ele descobre que sua mãe tem um amante. Muito legal essa relação da rigidez da época e a rebeldia dos meninos.




Antonie et colette é o segundo filme da série, conta a história do primeiro amor dele, bem engraçado! Em situações de adolescente mesmo. São 5 filmes que compõem essa série, segue com Beijos proibidos, depois Domicílio conjugal e enfim Amor em fuga. Que vou deixar pra vocês descobrirem a história assistindo-os! O mais legal é que Truffaut usou o mesmo ator para compor os filmes Jean
Pierre Leaud. Vi todos no Youtube, só tem legendado em inglês.




Para não perder o costume...

"Era um cineasta francês (06/02/1932-21/10/1984). Nasceu em Paris, filho de operários, e logo ficou órfão. Foi criado num reformatório e teve uma infância problemática. Freqüentava o cinema já aos 7 anos e lia muito, mas com 14 anos abandonou a escola para trabalhar numa fábrica. Aos 15 anos, em um cineclube, encontrou o crítico André Bazin, que se tornou seu protetor. A experiência da infância difícil é revisitada em vários de seus filmes, como Os Incompreendidos (1959). Bazin o tira da prisão e lhe oferece emprego. Truffaut, então com 19 anos, vai trabalhar na revista Cahiers du Cinéma, onde escreveu textos agressivos contra o cinema francês da época, que considerava caduco e convencional Em 1954 dirige seu primeiro curta. Dois anos depois, trabalha como assistente do diretor Roberto Rosselini. Em 1957 casa-se com Madeleine Morgenstern, filha de um distribuidor de filmes. Entre suas obras se destacam Jules e Jim - Uma Mulher para Dois (1961), Fahrenheit 451 (1966) e A História de Adele H (1975). Trabalha como ator em seus filmes Garoto Selvagem (1970) e A Noite Americana (1973), homenagem ao cinema que recebe o Oscar de melhor filme estrangeiro. Morreu aos 51 anos de câncer."


Não tive mais muito tempo para assistir outros filmes, pena que não posso comentar e indicar mais para vocês, pretendo assistir mais e espero que você também tenham tido interesse de assisti-los também!

"Bem, você vai para o seu quarto...
vai reler o roteiro, vai estudar um pouco e vai tentar dormir.
Amanhã é trabalho e o trabalho é o mais importante.
Não se faça de idiota, Alphonse, você é um ótimo ator, o trabalho vai bem.
Eu sei, existe a vida particular, mas ela é difícil para todos.
Os filmes são mais harmoniosos que a vida.
Não há engarrafamentos nos filmes, não há tempo perdido.
Os filmes avançam como trens, entende ?
Como trens na noite.
As pessoas como eu, como você, você sabe disso...
são feitas para serem felizes no trabalho, no cinema.
Até logo, Alphonse.
Conto com você. "
Noite Americana - François Truffaut


Postado por Mariana Prysthon

Brigitte Bardot

Brigitte Anne-Marie Bardot, também conhecida como BB, é uma modelo, atriz e cantora francesa. Nasceu em Paris no dia 28 de setembro de 1934. Seu pai era um engenheiro quatorze anos mais velho que sua mãe, a qual incentivou as filhas a dançarem balé desde novas. Aos 13 anos, Brigitte Bardot entrou para o conservatório de Música e Dança de Paris(Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris), onde teve aulas de balé por três anos. Aos 15 anos já havia entrado para o mundo da moda e estrelou na capa da revista Elle francesa.
video


Foi então que chamou a atenção do cineasta Roger Vadim. Este convenceu Marc Allegret a chamá-la para seu primeiro teste como atriz. Apesar do filme ter sido cancelado, esse foi seu primeiro contato com o cinema e despertou nela o desejo de se tornar atriz. No mesmo ano em que estrelou em seu primeiro filme, Le Trou Normand(1947), aos 18 anos, casou com Vadim.

Atuou então em diversos filmes, como Helena de Tróia(1956), e fez grande sucesso nos Estados Unidos por seu talento e principalmente sua beleza. Seu primeiro filme americano foi Un Acte D'amour(1953), de Kirk Douglas, mas ela permaneceu majoritariamente no cinema europeu durante sua carreira. Apesar dos muitos filmes de que participava BB, Vadim achava que sua esposa não estava sendo devidamente valorizada, portanto deu a ela o papel principal em seu filme da nouvelle vague E Deus Criou a Mulher(1956). Esse filme possuia cenas de nudez e causou grande escândalo no mundo todo por seu conteúdo irreverente. Foi esse lançamento responsável também por tornar a atriz uma sex-symbol da época, possuindo um perfil mais erótico do que outras figuras marcantes como a própria Marilyn Monroe.


BB se tornou a mais famos atriz europeia nos Estados Unidos e permanecer na França beneficiou sua image. Durante a década de 1960, quando a Europa, principamente Londres e Paris, começou a ser o novo centro irradiador de moda e comportamento e Hollywood saiu por um tempo da luz dos holofotes, ela acabou eleita a deusa sexual da década. Verdadeiro ou falso, nesta época se dizia que Brigitte Bardot era mais importante para a balança comercial francesa que as exportações da indústria automobilística do pais.

m 1973, pouco antes de completar quarenta anos e logo após seu filme L'histoire très bonne et très joyeuse de Colinot Trousse-Chemise(1973), Brigitte anunciou que estava encerrando sua carreira. Após mais de cinquenta filmes e de gravar dezenas de discos, ela recolheu-se a La Madrague definitivamente, escolheu usar a fama pessoal para defender os direitos animais e tornou-se vegetariana. Em 1986, criou uma fundação, Fondation Brigitte-Bardot, declarada de utilidade pública pelo governo francês em 1992, e que em 1995 nomeou o Dalai Lama como seu membro honorário. Entre outras causas, ela atuou e liderou campanhas contra a caça das baleias, as experiências em laboratório com animais, pela proibição de brigas autorizadas entre cães e contra o uso de casacos de pele.


Influências de BB
Além de ser a responsável pela popularização de Saint Tropez, na França, ao se mudar para lá no começo dos anos 1960, no verão de 1964, Brigitte Bardot também tornou conhecida a praia de Búzios, onde ficou hospedada em suas visitas pelo Brasil, na companhia do namorado Bob Zaguri, um playboy e produtor marroquino que viveu muitos anos no Brasil. A praia tornou-se um dos pontos mais sofisticados e procurados do verão brasileiro, inclusive por estrangeiros. Em sua homenagem , a Prefeitura local criou a Orla Bardot, na Praia da Armação, e instalou ali uma estátua de bronze da atriz em tamanho natural. Ela é reconhecida por ter popularizado o biquíni usando-o em seus primeiros filmes, nas aparições em Cannes e em dezenas de fotos de revistas.
Brigitte Bardot foi casada 4 vezes e tem um filho chamado Nicholas Charrier.


Segue abaixo alguns links para quem quiser ler mais sobre ela, tem umas coisas legais:


http://www.imdb.com/name/nm0000003/bio


http://pt.wikipedia.org/wiki/Brigitte_Bardot


http://educacao.uol.com.br/biografias/brigitte-bardot.jhtm


Bom, gente. Espero que vocês tenham consiguido matar a curiosidade de vocês sobre Brigitte Bardot. ;)


-Marcela Guimarães

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Simone de Beauvoir

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir, foi uma escritora, filósofa existencialista e feminista francesa. Escreveu romances, monografias sobre filosofia, política, sociedade, ensaios, biografias e uma autobiografia.

Nasceu em Paris, em 1908. Aos dez anos Simone conhece Zaza (Élizabeth Lacoin), que acabava de entrar para o Cours Désir. De cabelos curtos, com aspecto de rapaz, Zaza provoca em Simone uma admiração imediata por seu desembaraço e desenvoltura. De espírito cáustico, cínica, Zaza ridicularizava todo mundo com prazer, inclusive a si mesma. Desprezava a humanidade, que lhe parecia pouco apreciável e demonstrava desprezo ainda maior pelas pessoas que só respeitavam o dinheiro e as dignidades pessoais. Toda a hipocrisia a revoltava. Simone ouve sua nova amiga deslumbrada, pois Zaza se atrevia a dizer bem alto o que Beauvoir apenas pensava.
Desenvolve um profundo sentimento de amizade por Zaza, amor-admiração que modifica fortemente sua visão de mundo, fazendo-a se tornar mais audaciosa, segura de si e insubordinada.

Aos 15 anos — já não mais acreditando em Deus — ela tem plena consciência do que será quando crescer: "uma escritora", não hesita em afirmar quando indagada a respeito. Em meio a constantes conflitos de ordem familiar, esta certeza lhe dá grande segurança interior.

Forma-se em filosofia, em 1929, com uma tese sobre Leibniz. É nessa época que conhece o filósofo Jean-Paul Sartre, que será seu companheiro de toda a vida. Jean-Paul Sartre, também aluno da Sorbonne, impressionado com a beleza, inteligência e a voz rouca de Simone, envia-lhe, por intermédio de René Maheu, uma caricatura de Leibniz feita durante uma palestra, como forma de aproximação. Terminadas as provas escritas para a agrégation, Sartre, novamente usando Maheu como intermediário, convida Beauvoir a estudar em grupo para os exames orais. Ela aceita, e durante os próximos 15 dias separam-se apenas para dormir. Sartre é aprovado em 1º lugar na agrégation, Simone, com uma diferença de apenas 2 pontos, é a 2ª colocada — tornando-se a mais jovem agrégée da França.
Em setembro, Beauvoir deixa a casa dos pais em troca de um quarto alugado na casa da avó materna, na av. Denfert-Rochereau.
Ensina Latim num emprego temporário no Lycée Victor-Duruy.
Sartre e Simone estão apaixonados, entretanto, em vez de pedi-la em casamento, ele lhe propõe um pacto no qual monogamia e mentira não teriam lugar. Sartre acredita que antes de serem amantes, eles eram escritores, e como tal precisariam conhecer a fundo a alma humana, multiplicando suas experiências individuais e contando-as, um ao outro, nos mínimos detalhes. Entre Simone e Sartre o amor seria necessário, com as demais pessoas, seria contingente. Beauvoir aceita o pacto, pois ele está de acordo com suas próprias convicções.
Morte de Zaza em decorrência de problemas causados pelas objeções dos pais a seu casamento com Maurice Merleau-Ponty. Profundamente abalada, Simone acredita que poderia ter o mesmo destino que sua amiga se Georges de Beauvoir não tivesse perdido a fortuna.


Obra:

As suas obras oferecem uma visão sumamente reveladora de sua vida e de seu tempo.

Em seu primeiro romance, A convidada (1943), explorou os dilemas existencialistas da liberdade , da ação e da responsabilidade individual, temas que abordou igualmente em romances posteriores como O sangue dos outros (1944) e Os mandarins (1954), obra pela qual recebeu o Prêmio Goncourt e que é considerada a sua obra-prima.

As teses existencialistas, segundo as quais cada pessoa é responsável por si própria, introduzem-se também em uma série de quatro obras autobiográficas, além de Memórias de uma moça bem-comportada (1958), destacam-se A força das coisas (1963) e Tudo dito e feito (1972).

Entre seus ensaios críticos cabe destacar O segundo sexo (1949), uma profunda análise sobre o papel das mulheres na sociedade; A velhice (1970), sobre o processo de envelhecimento, onde teceu críticas apaixonadas sobre a atitude da sociedade para com os anciãos; e A cerimônia do adeus (1981), onde evocou a figura de seu companheiro de tantos anos, Sartre.


Depois da morte de Sartre, a saúde física e mental de Simone havia começado a se deteriorar, sobretudo por causa de sua dependência do álcool e de anfetaminas.
Beauvoir dá entrada no hospital Cochin, em março de 1986, com dores de estômago supostamente devidas a uma apendicite. Um edema pulmonar é diagnosticado. A cirurgia revela que seu fígado estava debilitado. Depois da operação, Simone contrai pneumonia e permanece num serviço de reanimação. Beauvoir precisa voltar à reanimação, onde seu estado se agrava subitamente. Ela morre na tarde de 14 de abril de 1986, aos 78 anos. Curiosamente, as causas de sua morte são praticamente as mesmas da de Sartre, falecido 6 anos antes, em 15 de abril de 1980.
Em 19 de abril Simone é sepultada no cemitério de Montparnasse, após uma cerimônia que reuniu cinco mil pessoas — que seguiram a pé o cortejo fúnebre até o túmulo de Sartre. Conforme havia desejado, ela é enterrada com o anel (de “noivado”) de Algren em seu dedo. O caixão desce à tumba que Simone partilhará com Sartre. Lanzmann lê um texto de Beauvoir. Um rumor de frustração se eleva da multidão, na maioria composta por feministas, muitas vindas do exterior, um rumor feito de cólera porque é um homem que lê suas últimas palavras, e de frustração porque a maior parte delas havia ficado do lado de fora do cemitério. Ordens haviam sido dadas para que se fechassem os portões cedo demais (talvez em razão dos esbarrões dos fotógrafos de jornal, que haviam quebrado túmulos e empurrado Beauvoir numa cova por ocasião do sepultamento de Sartre).
Jacques Chirac, então prefeito de Paris, lê um curto texto dizendo que a morte de Beauvoir assinalava o fim de uma época em que a literatura engajada havia marcado a sociedade.
A despeito destas palavras, é evidente que ainda hoje, no século XXI, Simone de Beauvoir continua a inspirar inúmeras pessoas. Basta visitar o cemitério de Montparnasse para se convencer disso: seu túmulo está sempre ornamentado com flores frescas e bilhetes de agradecimento que chegam todo dia dos quatro cantos do mundo.



Postado por Lilian Rodrigues